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A PLENITUDE DO TEMPO

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Tempo bom geralmente é fazer sol, é dar praia, é não chover, é sair com a roupa preferida sem sentir calor nem frio. Me desafiei a pensar no que seria tempo bom naquele dia, mas nada disso me preencheu nem me satisfez. Veio-me à cabeça a imagem de quando era criança e comia um macarrão  delicioso na casa da minha tia em Água Santa. Aquele prato simples, mas feito com amor por quem sabe. Nunca gostei de macarrão, mas aquele comia com prazer. Vai entender. Eu comia de um tudo e não engordava. Pensei também em minha mãe. Sempre muito dedicada ao que lhe trazia responsabilidade, dividindo seu tempo entre mim e seu trabalho, sobrando muito pouco para suas tentativas de namorados, que, para seu azar, (ou sorte) nunca duravam muito tempo. Sylvia me ensinou que o negócio era estudar, ser independente, não perder tempo e ser 'alguém na vida', o que sempre me intrigou, pois pensava em quanto tempo eu seria capaz de alcançar conseguiria essa proeza. Parecia ser algo muit...

A COLHEITA

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Uma vez ouvi em uma conversa de ônibus que o Fábio era um homem de sorte porque deixou a Gabi, aparentemente alguém que fazia mal a ele, e começou um relacionamento com a Carla, que era uma mulher ‘direita’ que ele havia conhecido recentemente. Ao mesmo tempo em que me perguntei o que seria uma mulher direita, senti um certo entusiasmo por alguém ter sido capaz de sair da zona de conforto e ter corrido atrás de uma segunda chance para ser feliz. Não conheci Fábio, Gabi nem Carla, mas espero de coração que todos estejam satisfeitos com suas escolhas e estejam fazendo o possível para tornarem suas vidas agradáveis, fugindo do que é conveniente. Fazer o que é conveniente não é necessariamente estar infeliz, mas é assinar um baita atestado de vida mais ou menos. É como responder ‘é, bem’ quando te perguntam como você está, é estar acompanhada por não conseguir suportar estar só. Não que tudo precise estar no auge o tempo todo, mas boto a maior fé em um movimento contra a monotonia e...

A ÁRDUA TAREFA DE (RE)COMEÇAR

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Acordei sem muita vontade. Estranhamente senti fome. Raramente sinto fome ao acordar e justamente naquele dia: Segunda-feira, início da dieta que deveria ter começado há 2 meses atrás. Abri a geladeira e dei de cara com um bolo de aniversário do dia anterior. Aquele pedaço de bolo que a gente sempre se recusa a levar pra casa, mas que sempre acaba aceitando por educação e por piedade do anfitrião que a cada fatia destribuída diminui o prejuízo de manter uma sobra maior em sua casa, que não será consumida por ninguém. Não comi. Fechei a geladeira com um sorriso orgulhoso e parti com louvor para um iogurte light que me esperava, não com o mesmo sorriso, mas com o prazo de validade acabando mesmo. Dali foi um pulo para a hora do almoço. E para o lanche da tarde. E para o jantar. Fazia 2 anos de casada no dia seguinte! Como poderia esquecer! Já que no dia seguinte provavelmente sairia para jantar, pensei que não haveria problema então começar a dieta na quarta. Assim o fiz. Ou t...

ENQUANTO ISSO NA CAIXA ECONÔMICA...

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Como em todo banco, existe uma parede que separa os caixas do público que aguarda. Pois bem, cá estou eu, aguardando pacientemente... Um cliente espirra. Uma voz de um rapaz do lado de lá diz: "saúde!". Todos se olham sorrindo e o cliente agradece à voz. Enquanto isso eu percebia que a mesma voz era a única que chamava as senhas, ou seja, era o único caixa disponível. E ainda assim, a cada cliente chamado, eu o ouvia cumprimentar a pessoa com o mesmo entusiasmo e bom humor. Mais alguns minutos e a mesma voz do lado de lá chama, estilo Silvio Santos: "93!"... "93!"... "ih, que pena desistiu!"... "Então vem com tudo, 94!"  Esperei por 1 hora, mas nem senti o tempo passar. Senti o mesmo efeito de "espanto positivo" nas outras pessoas que pareciam ficar na expectativa da próxima graça que o rapaz faria e sorriam umas para as outras quando saiam. Quem diria? Uma atmosfera agradável na Caixa Econômica Federal!  Pode parecer bobagem,...